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    [Liv] Assassinatos na Academia Brasileira de Letras - Jô Soares.

    Em 1924, o Rio de Janeiro abria o cassino do Copacabana Palace, chamava pela primeira vez de Visconde de Pirajá a principal rua de Ipanema, e começava a namorar o glamour da vocação praieira que seria seu futuro. A vida de charme pensante ficava em outro bairro. Era no centro da cidade, mais ou menos no trecho entre o Café Papagaio, na rua Gonçalves Dias, e o Café Lamas, no largo do Machado, que circulava a nata da intelectualidade - ou pelo menos a parte da nata que consegue sobreviver ao serial killer que Jô Soares solta naquele ano, o exterminador de intelectuais de Assassinatos na Academia Brasileira de Letras.

    De início há a suspeita de um notório serial killer literário que ameaça a vida dos imortais da Academia. De fato, o assassinato de dois escritores em circustâncias pouco conhecidas colocam o detetive Machado Machado e seu colega legista Gilberto de Penna-Monteiro numa busca do asssassino bem como seus métodos obscuros de envenenamento.

    Jô utiliza-se do humor e da intertextualidade da sua obra com a própria Academia de Letras; inicialmente a brincadeira se dá pelo nome do personagem principal Machado Machado, que recebeu seu nome em homenagem ao escritor preferido de seu pai, e mais tarde o seu próprio, Machado de Assis. E, como seu pai chamava-se Rubino Machado, seu filho herdou-lhe o sobrenome. Outro traço do humor leve de Jô se dá pelo gosto literário do detetive; em toda a obra há cenas de surpresa e ironias dos personagens surpresos com o conhecimento de "um simples detetive" que cita quase literalmete o Presidente Perpétuo da Academia, Machado de Assis.

    Ao longo do enredo, Jô Soares revela um clima de corrupção entre os membros da Academia Brasileira de Letras, como o próprio senador Belizário Bezerra, que apenas por sua reputação, enquanto dono de terras e envergadura moral, viria a ser um imortal. O livro conta com um linguajar que até lembra um pouco o romantismo, levando em consideração a vasta qualidade do texto do autor e a eficiente minúcia na hora de descrever os mais diversos atos corriqueiros que aparecem na trama.



    Escrito por Prof. Celso Santos às 18h55
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    [Not] BB paga 4,2 bi por 49,9% do Banco Votorantim.

    O Jornal Folha de São Paulo em sua edição de sábado (10/01/2009) publicou a matéria que corre em todos os principais jornais do país: A compra de 49,9% dos ativos do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil.

    A princípio seria apenas mais uma notícia sobre a fusão de grandes bancos na luta pela liderança no mercado nacional mas... não é somente isso! O banco da família Ermírio de Moraes continuará sendo empresa privada. Estranho mas o motivo da não-estatização do banco deve-se à diferença de 0,02% das ações. A gestão do banco será compartilhada e todas as decisões terão de ser tomadas em conjunto. É estranho como uma mísera parcela de 0,02% pode interferir num governo. O Banco do Brasil não terá o controle acionário da instituição "adquirida."

    O mundo assiste a ações agressivas de governos em socorro do sistema financeiro, inclusive com participação acionária. Mas o uso de dinheiro público nessas operações deve ser feito dentro de parâmetros de razoabilidade e com transparência total, afinal é o seu, é o meu, é o nosso dinheiro que está em uso e não pode beneficiar este ou aquele de maneira isolada. Existe a necessidade de encontrar um equilíbrio em que toda sociedade, ou pelo menos a grande maioria dela, seja beneficiada.

    O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, afirma que o negócio é interessante porque fortalece a carteira de financiamento de veículos. Quanto a isso não há dúvidas, afinal o Votorantim possui uma carteira de crédito que soma R$ 21,7 bi, sendo R$ 16,8 bi em veículos. Mesmo assim, falta explicar o uso de tamanha fatia de recursos públicos num momento em que eles são demandados  por outros setores igualmente afetados pela crise.

    Será que alguma ameaça pairava sobre o banco privado? Será que essa ameaça comprometeria o sistema de pagamentos brasileiro? O certo é que não existia outros bancos privados interessados na aquisição. O Bradesco, hoje terceiro na lista dos grandes, tem a intenção de comprar o Cit Bank e/ou HSBC, acontece que os dois grandes bancos não querem e não podem perder o mercado brasileiro pois correriam o risco de ter de voltar atrás numa possível transação. Acontece que o Bradesco nunca cogitou fazer uma fusão com o Votorantim. Diante de tudo isso só resta uma certeza: O governo deve explicações à sociedade brasileira. Estamos de olho!



    Escrito por Prof. Celso Santos às 15h53
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    [Not] A cabeça do brasileiro.

    Você já ouviu falar em Cildo Meireles? Conhece alguma de suas obras? Não?! Calma, calma... a culpa não é tão completamente sua. A culpa pode ser da infeliz colonização portuguesa. Não entendeu? Vou explicar!

    Semana passada vi no Jornal da Globo uma reportagem que fez sentir-me indignado com o que constatou o próprio artista plástico.

    Cildo Meireles nasceu em 1948 no Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Durante os anos 70 e 80 Cildo Meireles arquitetou uma série de trabalhos que faziam uma severa crítica à ditadura militar. Uma de suas principais obras é: Monumento ao preso político ou Introdução a uma nova crítica, que consiste em uma tenda sob a qual se encontra uma cadeira comum forrada com pontas de prego. Trata-se de trabalhos de cunho político do artista em que a questão política sempre vem acompanhada da investigação da linguagem.

    A minha indignação vem do fato de Cildo Meireles caminhar tranquilamente pelas ruas do Rio sem ser reconhecido, sem ser reverenciado por ser um dos grandes heróis que lutaram contra a Ditadura Militar... é... a cabeça do brasileiro infelizmente está preparada para reverenciar "Mc's Créus" e "Mulheres Melâncias" (não como regra geral, obviamente), enquanto isso os herois vão morrendo no anonimato... por falar nisso há muito tempo não fico sabendo sobre homenagens ao "irmão do Henfil", sim, parece que já esqueceram o nosso Betinho também.

    A cultura portuguesa, segundo o próprio Cildo, na época da colonização não tinha a mente aberta para conhecer e entender a arte. Se fôssemos colonizados por espanhois, talvez nós (artistas, amantes das artes e até mesmo escritores), teríamos o reconhecimento pela visão global e por importantes trabalhos realizados. No entanto carregamos a cruz da colonização portuguesa.

    Bom, já que não estamos preparados para reconhecer herois, pelo menos os europeus (ah, eles sim) fazem o que deveria ser feito por nós, brasileiros. Cildo Meireles ganhou, em 2008, o Prêmio Velázquez de Las Artes Plásticas, concedido pelo Ministerio de Cultura da Espanha e, em Londres, está com Mostra na Tate Gallery, onde estão expostas, até o fim deste mês, obras e instalações com caráter político.

    Detalhe: em Londres, durante a reportagem, foi parado diversas vezes nas ruas por pessoas que diziam admirar seus belos e importantes trabalhos artísticos.

    Enquanto isso, no Brasil: "Créu, créu, créu", ora pois!



    Escrito por Prof. Celso Santos às 18h42
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    [Not] Entra em vigor a Reforma Ortográfica.

    A notícia a seguir foi retirada na íntegra do Jornal Folha de São Paulo e seus créditos estão no final desta postagem. Vale lembrar que a Reforma é ortográfica, ou seja, diferenças somente na escrita, não há alterações na pronúncia. Boa leitura!

    Dúvidas poderão ser tiradas através do link Reforma Ortográfica - Folha Online que consta entre meus favoritos na lista ao lado.

    As novas regras da língua portuguesa começam a vigorar em janeiro de 2009. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.

    HÍFEN
    Não se usará mais:
    1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
    2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"

    TREMA
    Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

    ACENTO DIFERENCIAL
    Não se usará mais para diferenciar:
    1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
    2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
    3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
    4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
    5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)

    ALFABETO
    Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"

    ACENTO CIRCUNFLEXO
    Não se usará mais:
    1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
    2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

    ACENTO AGUDO
    Não se usará mais:
    1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
    2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
    3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

    GRAFIA
    No português lusitano:
    1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo" assim como no Brasil.

    Para entender melhor, assista ao vídeo:

    Fonte de Pesquisa: Jornal Folha de São Paulo (01/01/2009).
    Vídeo: Youtube.



    Escrito por Prof. Celso Santos às 09h15
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