Hoje pela manhã recebi um e-mail que automaticamente me remeteu à canção Ideologia, escrita por Cazuza e Frejat. O e-mail que recebi falava exatamente sobre o primeiro cantor citado. O título chamou minha atenção: Cazuza, um idiota morto. Recebendo essa mensagem percebo que não estou sozinho em minha linha de raciocínio. Isso mesmo, nunca o considerei um ídolo, mesmo antes de ler o tal texto, por uma razão muito simples: O ídolo não pode ser criado do nada, precisa ser uma referência, precisa ser um lutador, alguém que mude as circunstâncias (para melhor, obviamente). O que podemos extrair de positivo na biografia do tal artista? Por acaso engajou-se em alguma causa política de grande repercussão?
Quando assisti ao filme Cazuza - O tempo não para fiquei durante muito tempo refletindo e tentando entender uma questão: O que leva grandes profissionais, como Sandra Werneck e Walter Carvalho, a escolherem a biografia de um cantorzinho mimado e rebelde sem causa, além de traficante, para rodar nas telonas? Cheguei à conclusão mais óbvia: O Ibope! Sempre ele! Claro, ser normal não dá Ibope.
Partindo do pressuposto que diz que "ser normal não dá Ibope" poderíamos pensar em pessoas "anormais" que realmente merecem ser lembradas por suas ações heróicas, faço questão de listar algumas delas: Hebert de Souza (Betinho), Henfil, Vladimir Herzog, Missionária Dorothy Stang, entre tantos outros.
Cazuza foi um filhinho de mamãe que sempre teve tudo nas mãos, nunca soube (ou não quis saber) diferenciar o certo do errado. Sua mãe, Lucinha, sempre viveu para satisfazer suas vontades e loucuras, fossem elas lícitas ou ilícitas. Não cabe aqui julgar os motivos que levaram a mãe dele a agir da maneira que agiu, omitindo seus crimes, como por exemplo quando aceitou que seu filho escondesse grande quantidade de drogas em sua casa. Drogas vindas da Inglaterra e em grande quantidade, conforme relatado no livro que escreveu em homenagem ao "ídolo dos rebeldes sem-causas". Fatos confirmados pela justiça brasileira. Certa vez, o juiz Siro Darlan disse que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e o outro não.
Cabe ao blog, e consequentemente aos leitores, analisar, refletir e questionar sobre os verdadeiros valores que devem levar uma pessoa a ser considerada como ícone de uma nação tão necessitada de grandes heróis.
Deixe seu comentário: Qual a sua opinião sobre o texto? O Brasil, de uma forma geral, não sabe reconhecer os verdadeiros ídolos? Quem são as pessoas que merecem o reconhecimento? Cite nomes.
Ideologia, será que realmente queremos uma pra viver?
O jornal O Estado de São Paulo, em sua edição de domingo (29/11/2009), publicou uma entrevista realizada com André Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau desde janeiro de 2007. Um ano e nove meses após assumir a presidência ocorreu a crise econômica internacional. Nessa época o mundo parou de comprar aço, e André viu-se obrigado a lidar com demissões e fechamento de fábricas, mesmo assim afirma que a Gerdau não encolheu com a crise, apenas adequou-se a ela.
Passada a crise, o Grupo Gerdau anunciou o investimento de R$ 9,5 bi, sendo que 80% dessa verba seria destinada ao Brasil. Com isso a Gerdau pretende ampliar sua atuação no mercado nacional e entrar em um novo ramo de atividade: Produção de chapas grossas.
Outro objetivo da Gerdau, segundo a entrevista, é investir na Índia. André vê a Índia como porta de entrada para a Ásia, além de considerar a Índia como um país de mercado promissor. O foco principal da empresa passa a ser o mercado estrangeiro, para continuar alimentando o mercado nacional. A China seria o principal país para o investimento, porém não foi possível solidificar alianças com parceiros confiáveis. Outro fator negativo encontrado na China é o fato de a indústria siderúrgica não aceitar nenhum estrangeiro como controlador de empresas, o que não tira a China da lista de países a receberem investimentos, mas adia o início das transações.
Questionado sobre o motivo para que a empresa não invista nos Estados Unidos, André responde que o fator principal é a baixa produção naquele país atualmente. Além disso, os Estados Unidos já têm uma economia solidificada, ou seja, não há muito crescimento. Já os países em desenvolvimento precisam investir em empregos para gerar riquezas em curto espaço de tempo. Isso facilita os acordos entre empresas e governantes no que se refere a impostos e taxas.
Uma boa notícia para quem tem sede de cultura. O governo vai enviar em breve ao Congresso, um projeto de lei que cria o Vale-Cultura.
A proposta prevê que o trabalhador receba um vale de R$ 50 mensalmente, para gastar em teatro, cinema, shows e CD’s. Desse total, 20% serão pagos pelo trabalhador (R$ 10) e o restante será dividido entre a empresa e o governo por meio de um sistema de dedução semelhante ao do vale-refeição.
Segundo o ministro da cultura, Juca Ferreira, diversos segmentos da sociedade se posicionaram de maneira "absolutamente favorável” sobre a criação do Vale-Cultura. Algumas centrais sindicais, inclusive, estão dispostas a incluir o benefício nos acordos coletivos.
Para Juca, este será um estímulo à inclusão cultural. Os números no Brasil são muito ruins. Só 17% dos brasileiros compram livros, 5% deles, alguma vez na vida, entraram num museu. Não chega a 20% o índice dos que vão a espetáculos de dança ou teatro e só 13% frequentam cinemas.
[Liv] Assassinatos na Academia Brasileira de Letras - Jô Soares.
Em 1924, o Rio de Janeiro abria o cassino do Copacabana Palace, chamava pela primeira vez de Visconde de Pirajá a principal rua de Ipanema, e começava a namorar o glamour da vocação praieira que seria seu futuro. A vida de charme pensante ficava em outro bairro. Era no centro da cidade, mais ou menos no trecho entre o Café Papagaio, na rua Gonçalves Dias, e o Café Lamas, no largo do Machado, que circulava a nata da intelectualidade - ou pelo menos a parte da nata que consegue sobreviver ao serial killer que Jô Soares solta naquele ano, o exterminador de intelectuais de Assassinatos na Academia Brasileira de Letras.
De início há a suspeita de um notório serial killer literário que ameaça a vida dos imortais da Academia. De fato, o assassinato de dois escritores em circustâncias pouco conhecidas colocam o detetive Machado Machado e seu colega legista Gilberto de Penna-Monteiro numa busca do asssassino bem como seus métodos obscuros de envenenamento.
Jô utiliza-se do humor e da intertextualidade da sua obra com a própria Academia de Letras; inicialmente a brincadeira se dá pelo nome do personagem principal Machado Machado, que recebeu seu nome em homenagem ao escritor preferido de seu pai, e mais tarde o seu próprio, Machado de Assis. E, como seu pai chamava-se Rubino Machado, seu filho herdou-lhe o sobrenome. Outro traço do humor leve de Jô se dá pelo gosto literário do detetive; em toda a obra há cenas de surpresa e ironias dos personagens surpresos com o conhecimento de "um simples detetive" que cita quase literalmete o Presidente Perpétuo da Academia, Machado de Assis.
Ao longo do enredo, Jô Soares revela um clima de corrupção entre os membros da Academia Brasileira de Letras, como o próprio senador Belizário Bezerra, que apenas por sua reputação, enquanto dono de terras e envergadura moral, viria a ser um imortal. O livro conta com um linguajar que até lembra um pouco o romantismo, levando em consideração a vasta qualidade do texto do autor e a eficiente minúcia na hora de descrever os mais diversos atos corriqueiros que aparecem na trama.
[Not] BB paga 4,2 bi por 49,9% do Banco Votorantim.
O Jornal Folha de São Paulo em sua edição de sábado (10/01/2009) publicou a matéria que corre em todos os principais jornais do país: A compra de 49,9% dos ativos do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil.
A princípio seria apenas mais uma notícia sobre a fusão de grandes bancos na luta pela liderança no mercado nacional mas... não é somente isso! O banco da família Ermírio de Moraes continuará sendo empresa privada. Estranho mas o motivo da não-estatização do banco deve-se à diferença de 0,02% das ações. A gestão do banco será compartilhada e todas as decisões terão de ser tomadas em conjunto. É estranho como uma mísera parcela de 0,02% pode interferir num governo. O Banco do Brasil não terá o controle acionário da instituição "adquirida."
O mundo assiste a ações agressivas de governos em socorro do sistema financeiro, inclusive com participação acionária. Mas o uso de dinheiro público nessas operações deve ser feito dentro de parâmetros de razoabilidade e com transparência total, afinal é o seu, é o meu, é o nosso dinheiro que está em uso e não pode beneficiar este ou aquele de maneira isolada. Existe a necessidade de encontrar um equilíbrio em que toda sociedade, ou pelo menos a grande maioria dela, seja beneficiada.
O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, afirma que o negócio é interessante porque fortalece a carteira de financiamento de veículos. Quanto a isso não há dúvidas, afinal o Votorantim possui uma carteira de crédito que soma R$ 21,7 bi, sendo R$ 16,8 bi em veículos. Mesmo assim, falta explicar o uso de tamanha fatia de recursos públicos num momento em que eles são demandados por outros setores igualmente afetados pela crise.
Será que alguma ameaça pairava sobre o banco privado? Será que essa ameaça comprometeria o sistema de pagamentos brasileiro? O certo é que não existia outros bancos privados interessados na aquisição. O Bradesco, hoje terceiro na lista dos grandes, tem a intenção de comprar o Cit Bank e/ou HSBC, acontece que os dois grandes bancos não querem e não podem perder o mercado brasileiro pois correriam o risco de ter de voltar atrás numa possível transação. Acontece que o Bradesco nunca cogitou fazer uma fusão com o Votorantim. Diante de tudo isso só resta uma certeza: O governo deve explicações à sociedade brasileira. Estamos de olho!
Você já ouviu falar em Cildo Meireles? Conhece alguma de suas obras? Não?! Calma, calma... a culpa não é tão completamente sua. A culpa pode ser da infeliz colonização portuguesa. Não entendeu? Vou explicar!
Semana passada vi no Jornal da Globo uma reportagem que fez sentir-me indignado com o que constatou o próprio artista plástico.
Cildo Meireles nasceu em 1948 no Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Durante os anos 70 e 80 Cildo Meireles arquitetou uma série de trabalhos que faziam uma severa crítica à ditadura militar. Uma de suas principais obras é: Monumento ao preso político ou Introdução a uma nova crítica, que consiste em uma tenda sob a qual se encontra uma cadeira comum forrada com pontas de prego. Trata-se de trabalhos de cunho político do artista em que a questão política sempre vem acompanhada da investigação da linguagem.
A minha indignação vem do fato de Cildo Meireles caminhar tranquilamente pelas ruas do Rio sem ser reconhecido, sem ser reverenciado por ser um dos grandes heróis que lutaram contra a Ditadura Militar... é... a cabeça do brasileiro infelizmente está preparada para reverenciar "Mc's Créus" e "Mulheres Melâncias" (não como regra geral, obviamente), enquanto isso os herois vão morrendo no anonimato... por falar nisso há muito tempo não fico sabendo sobre homenagens ao "irmão do Henfil", sim, parece que já esqueceram o nosso Betinho também.
A cultura portuguesa, segundo o próprio Cildo, na época da colonização não tinha a mente aberta para conhecer e entender a arte. Se fôssemos colonizados por espanhois, talvez nós (artistas, amantes das artes e até mesmo escritores), teríamos o reconhecimento pela visão global e por importantes trabalhos realizados. No entanto carregamos a cruz da colonização portuguesa.
Bom, já que não estamos preparados para reconhecer herois, pelo menos os europeus (ah, eles sim) fazem o que deveria ser feito por nós, brasileiros. Cildo Meireles ganhou, em 2008, o Prêmio Velázquez de Las Artes Plásticas, concedido pelo Ministerio de Cultura da Espanha e, em Londres, está com Mostra na Tate Gallery, onde estão expostas, até o fim deste mês, obras e instalações com caráter político.
Detalhe: em Londres, durante a reportagem, foi parado diversas vezes nas ruas por pessoas que diziam admirar seus belos e importantes trabalhos artísticos.
Enquanto isso, no Brasil: "Créu, créu, créu", ora pois!
A notícia a seguir foi retirada na íntegra do Jornal Folha de São Paulo e seus créditos estão no final desta postagem. Vale lembrar que a Reforma é ortográfica, ou seja, diferenças somente na escrita, não há alterações na pronúncia. Boa leitura!
Dúvidas poderão ser tiradas através do link Reforma Ortográfica - Folha Online que consta entre meus favoritos na lista ao lado.
As novas regras da língua portuguesa começam a vigorar em janeiro de 2009. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.
HÍFEN Não se usará mais: 1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista" 2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
TREMA Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados
ACENTO DIFERENCIAL Não se usará mais para diferenciar: 1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição) 2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo) 3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo") 4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo) 5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)
ALFABETO Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"
ACENTO CIRCUNFLEXO Não se usará mais: 1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem" 2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"
ACENTO AGUDO Não se usará mais: 1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia" 2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca" 3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem
GRAFIA No português lusitano: 1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo" assim como no Brasil.
Para entender melhor, assista ao vídeo:
Fonte de Pesquisa: Jornal Folha de São Paulo (01/01/2009). Vídeo: Youtube.
"A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou a última sessão de 2008 com valorização, num dia em que os fundos de investimentos aproveitaram a influência externa positiva e o baixo volume de negócios para tentar reduzir as perdas acumuladas no ano." (MSN Notícias, 31/12/2008).
Segundo a notícia publicada pelo site MSN, 2008 foi um dos piores anos da Bolsa de Valores de São Paulo. Lembro-me que entre o final de 2007 e o início de 2008 a Bovespa chegou a bater recordes em cima de recordes. Chegou a atingir a casa dos 70.000 pontos, porém fechou o ano em queda assustadora, atingindo 37.552 pontos.
Existe algo mais assustador que isso? Sim, existe. É estranho como o presidente Lula desdenha a tal crise mundial. "Se você tem dinheiro, gaste!" Ótimo... o problema é, senhor presidente, que o povo não tem dinheiro. Com o salário mínimo a R$ 415,00 o que é que o senhor deseja que o povo compre? Cachaça? Não, não... o álcool será substituído... compre mamona.
Quando perguntado sobre a crise americana, mais uma vez Lula mostrou-se desdenhoso e alheio aos reais problemas mundiais. Sempre com a grotesca ironia, Vossa Excelência (se assim podemos chamá-lo) respondeu aos repórteres: "Crise americana? Não sei, pergunte ao Bush." Podemos ver o compromisso que o "excelentíssimo" tem para com a nação brasileira: Nenhum. - Pergunte a ele sobre a contratação de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians... ahh.. aí sim você obterá uma resposta...
Tais atitudes de um Chefe de Estado chegam a causar revoltas até mesmo em não-brasileiros. É o caso de Ingrid Betancourt que, ao contrário do que o presidente disse, afirmou que as FARC são sim terroristas... ahhh, como foi lastimoso ver a "cara de tacho" de um presidente omisso e incompetente. Cheguei a ter vergonha de ser brasileiro naquele momento.
Quem sabe um dia iremos aprender a eleger pessoas capacitadas e não simplesmente votar naquele em quem temos pena. Nesse caso deveríamos ter pena da nação, que sofre todas as conseqüências de uma escolha equivocada.
O romance, publicado em 1995, aborda a emergência de uma inédita praga de uma repentina cegueira abatendo uma cidade não identificada, inexplicável e incurável. Tal "cegueira branca" - assim nomeada pois as pessoas infectadas percebem em seus olhos nada mais que uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem sentado no trânsito e, lentamente, se espalha pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos, pela obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena, em condições desumanas, e os serviços estatais começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença que cega todos os outros.
O romance nos mostra o desmoronar completo da sociedade que, por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização e, (tal como em A Peste, de Albert Camus) mais que comentar as facetas básicas da natureza humana à medida que elas emergem numa crise de epidemia, Ensaio sobre a cegueira mostra a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas também das suas vidas espirituais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.
"Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso? Diz! Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem." Na contracapa: "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara."
O livro destaca a diferente visão que a globalização dá ao tema que interessa a todos os viventes, oamor.
Entre outros assuntos, o sociólogo polonês alerta sobre o relacionamento interpessoal que passa por mudanças oriundas da globalização contemporânea. A rapidez exigida pela internet, a liquidez dos relacionamentos (liquidez traduzida como relacionamentos descartáveis).
Assim como no universo da economia e da política, o vínculo entre as pessoas carece da garantia de permanência. Segundo Bauman, os relacionamentos são os grandes responsáveis pelo boom do aconselhamento e de todas as formas de terapia que invadem as seções de jornais e revistas. Afinal todos querem amar e não há dúvidas que amar é difícil, porém a subjetividade dos "líquidos modernos" tende a buscar um amor sem compromisso, ou seja, valorizando o ganho e deixando de lado o sacrifício.
Não há dúvidas sobre a intenção do autor: Resgatar o amor comprometido. Reviver os bons tempos em que muitos casamentos chegavam aos 50, 60 e, porque não, 70 anos.
Na questão política Bauman enfatiza diversas atitudes "humanas" que contribuem para a grande diferença social existente em todo o mundo, afinal apostar em soluções individuais para problemas coletivos seria a maior ilusão. Todos são convocados a dar sua contribuição, mas de maneira nenhuma isso deve ser interpretado como atitude individual. O todo só fará diferença se as ações forem coletivas.
Não são folhas empoeiradas, não são um amontoado de páginas cansadas e tristes.
São exatamente as mãos, braços e pernas que libertam, que arrebentam as algemas de nossa vil ignorância, tornando-nos tão desafiadores quanto a vida nos apresenta ser.
E, tão perigosos quanto as ciladas que se armam vez por outra no caminho, os livros libertam. Seja uma pessoa livre!
Quem muda o mundo são as pessoas. Livros só mudam as pessoas. (Mário Quintana). ---
O intuito deste blog é exatamente incentivar a leitura. Fontes de pesquisa afirmam que a média anual de livros lidos por brasileiros não ultrapassa a mísera marca de 1,8 livro por pessoa. Bem sabemos que a escrita depende da leitura e vice-versa.
Livros & Notícias: Além do incentivo ao conhecimento literário, o blog tem o intuito de levar o leitor a refletir sobre as principais notícias do dia-a-dia. Não basta ler o jornal, faz-se necessário uma reflexão sobre os assuntos que mais interferem no nosso cotidiano.
Esteja sempre atento às indicações no início de cada tema: [Liv] = Livro / [Not] = Notícia.
Entre Livros & Notícias vamos conhecendo o prazer da leitura e da reflexão.